segunda-feira, 23 de julho de 2007

Hipocrisia Virtual

O que acontece quando a gente bloqueia alguém no msn?

Vou te contar o que aprendi até pra difundir essa infernização com os falsos amigos.

Ora, quando você bloqueia alguém é como se estivesse se escondendo dela. Você vai saber que ela está ON line, mas ela verá você como OFF o tempo inteiro.

Quando você a exclui é como se quisesse dar um tapa na cara da pessoa.

Quando uma pessoa bloqueia a outra ou exclui ela pode ser descoberta por um delicioso acaso. Imagine que quem você excluiu tem um contato em comum com outra pessoa de sua lista, e sentindo tua ausência ela pergunta para o outro fulano se tem te visto.
- Sim tenho, ela tá on line agora, por que???

Que chato hein...

Ainda pelo propio MSN tem uma função para descobrir gente que te bloqueou:
ferramentas
opções
privacidade

Você terá duas colunas: a de pessoas que voce tem no seu msn e a de pessoas que você bloqueou ou excluiu.
Você pode ir clicando nos nicks da lista do seu lado esquerdo, com o botão direito do mouse.
O que tiver a opção excluir mais escuro indica que a pessoa te bloqueou!

Decepcionante...

Outra é usar sites que fazem esse serviço. Sim, sim!
http://www.blockstatus.com/
http://msn.blocked.nl/

Há outras maneiras, basta viajar com a Helmanns. Talvez ir na casa da pessoa e olhar o pc dela para ver se ela está on line. Claro que perdida a confiança esta pessoa já não é mais sua amiga mesmo, mas outras opções existem.

A mais digna, penso, é aquela em que você conversa com a pessoa o mínimo necessário, e expõe qualquer descontentamento ou impossibilidade de diálogo.

Essa história de chat ou msn ou gtalk, é complexa. Eu advirto estar ocupado, mas posso não estar tão ocupado para falar com os preferidos. Coloco que estou em ligação, mas posso estar com as mãos livres para digitar, e hoje em "desdia" as pessoas dizem que podem fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Quando coloco estar ausente, posso estar defronte ao pc sem estar falando por algum tempo, ou assistindo tv na sala, o que não impede me escreverem alguma coisa, e a regra de ouro impõe ter de responder algo assim que puder.

Assim que puder.

E como saber a extensão de um carinho, de uma impossibilidade momentânea? Como certificar-se de que seus amigos, ou mesmo parentes, estão acompanhando tuas mudanças, aprovando teus atos noticiados? Como expor seu descontentamento? Com uma atitude antidialógica?

A amizade ideal, do que se tem melhor notícia, é exatamente aquela que respeita o indivíduo. Quando eu percebo que uma pessoa pode não estar de bom humor, devo compreendê-la. É direito dela tal quel é meu direito estar de mau humor de vez em quando, ou sempre, o que é então uma opção. Neste caso, ranzinzas não costumam ser bons amigos, costumam ser críticos negativos, distantes da potencialidade humana, mesmo quando atraentes de algum modo. A conclusão é que são dispensáveis mau-amados insimesmados em si mesmos, que precisam de limitação comunicacional exatamente para não se tornarem esquizofrênicos. Será um bem duplo afastá-los de você.

Sim, todos temos direito à privacidade. Sim, podemos falar com quem quisermos, na hora que bem entendermos ou pudermos. Sim.

Todos tem esse direito, a sacada é que isto não é unilateral.

A primeira pergunta correta seria: a hipocrisia é um direito?
A segunda pergunta correta É: pra que eu adicionei aquela pessoa?

Não há mal nenhum em sermos sinceros quanto ao grau de envolvimento com uma pessoa que acabamos de conhecer, ou que então já é de nosso círculo. Inclusive, algumas versões são socialmente aceitas, e ademais, não somos obrigados a ter tempo sempre pra ficar conversando.


Os outros também tem um dever, o de compreender que não estamos à disposição assim tão abertamente. Algo do tipo "não posso conversar agora" tem de ser compreendido, e vivenciado mesmo que se extenda por tempo indeterminado. Ou aceite que pode estar enganado a respeito do seu amigo.

Dependa menos do seu contato sempre ocupado, desvincule-se. Ou perdoe a displicência se puder.

Enfim, opte por ter valores positivos, ao invés de picuinhas. E com mente aberta, exija reciprocidade. Isto vai configurar um ambiente virtual em que não precisará se esquivar de seus contatos.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Pode Alguém Dar Mais do que Possui?

Ó Deus Altíssimo!
Três coisas eu Te dei:
Amor, lealdade e esforço;
E nisso eu não falhei.

Porém, ó Bem-Amado,
Quantos pecados se entramaram
Em meus esforços!
Quanta indignidade mesclada
Em cada átomo de meu amor!
Que pobre a lealdade
Dada com toda afeição que eu tinha!

Mas, pode alguém dar mais
Do que aquilo que possui?
Cada flor desabrocha
Conforme sua natureza;
Cada lâmpada brilha
Sua própria medida de óleo.

Ah, fosse eu de melhor natureza
E o tesouro à Tua porta
Seria de jóias com brilho de estrelas!
Como uma criança que brinca
Ao lado da vastidão do oceano
E reúne suas conchas e seixos —
Sua pequena loja —
No encontro das ondas com a praia,
E traz esse brinde de bugigangas
Para o colo de sua mãe,
Assim eu trouxe a Ti
Tudo o que eu tinha!

Ó Deus aceita-o
Em Tua graça.
Perdoa Tua filha
E toma-a nos Teus braços!

AMATU'L-BAHÁ RÚHÍYYIH KHANUM

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Viagem a Ítaca

Quando começares tua viagem a Ítaca
pede que o caminho seja longo,
cheio de aventuras, cheio de experiências.
Não temas aos lestrigões nem aos ciclopes,
nem ao colérico Possêidon,
tais seres jamais acharás em teu caminho,
se teu pensar for elevado, se seleta
for a emoção que toca teu espírito e teu corpo.
Nem aos lestrigões nem aos ciclopes
nem ao selvagem Possêidon encontrarás
se não os levares dentro de tua alma,
se não os ergue tua alma diante de ti.

Pede que o caminho seja longo.
Que sejam muitas as manhãs de verão
em que chegues - com que prazer e alegria!-
a portos antes nunca vistos.

Detém-te nos empórios de Fenícia
e mostra-te com belas mercadorias,
nácar e coral, âmbar e ébano
e toda sorte de perfumes voluptuosos,
quanto mais abundantes perfumes voluptuosos possas.
Veja muitas cidades egípcias
a aprender, a aprender de seus sábios.

Tenha sempre Ítaca em teu pensamento.
Tua chegada ali é teu destino.
Mas não apresses nunca a viagem.
Melhor que dure muitos anos
E atracar, velho já, na ilha,
Enriquecido de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar que Ítaca te enriqueça.

Ítaca te ofereceu tão bonita viagem.
Sem ela não haverias começado o caminho.
Mas já não tem nada a dar-te.

Ainda que as ache pobre, Ítaca não te enganou.
Assim, sábio como te tornaste, com tanta experiência,
Entenderás já o que significam as Ítacas.


Konstantínos Kaváfis, no alfabeto grego: Κωνσταντίνος Πέτρου Καβάφης, (Alexandria, 29 de abril de 1863 — 29 de abril de 1933) foi um poeta grego. Nascido numa familía grega radicada no Egito e tendo vivido dos sete aos dezenove anos de idade em Liverpool, Kaváfis era um cético e questionava a Cristandade, o patriotismo e a heterossexualidade.

A história, como o mito, é uma coisa mental. Kaváfis concorda consigo mesmo: os ciclopes, se aparecem, é porque habitam na alma humana. Como os bárbaros, os anseios e os medos são seres imaginários. Kaváfis toma partido pelo controle dos sentidos - por este exato meio aconselhado pelos sábios - mas, ato contínuo, recomenda o excesso e a voluptuosidade.

Parece contraditório, mas não é, melhor, é complementar. Entre o ascetismo e o hedonismo, o círculo se fecha, se fecha também o périplo de uma a outra Ítaca: da juventude à velhice, da pobreza à riqueza, da ignorância à virtude da sabedoria.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Decálogo da Boa Sorte

1. A sorte não dura muito tempo, pois não depende de você. A Boa Sorte é criada por você, por isso dura para sempre.

2. Muitos são os que querem ter a Boa Sorte, mas poucos os que decidem buscá-la.

3. Se você não tem Boa Sorte agora, talvez seja porque está sob as circunstâncias de sempre. Para que ela chegue, é conveniente criar novas circunstâncias.

4. Preparar as condições favoráveis para a Boa Sorte não significa buscar somente o benefício para si mesmo. Criar as condições nas quais outros também ganham atrai a Boa Sorte.

5. Se você deixar para amanhã o trabalho que precisa ser feito, a Boa Sorte talvez nunca chegue. Criar as condições favoráveis requer dar um primeiro passo. Faça isso hoje mesmo.

6. Às vezes, mesmo que as condições favoráveis estejam presentes, a Boa Sorte não chega. Procure nos pequenos detalhes o que for aparentemente desnecessário mas imprescindível!

7. Para quem só acredita no acaso, criar as condições favoráveis parece absurdo. Para quem se dedica a criar as condições favoráveis, o acaso não é motivo de preocupação.

8. Ninguém pode vender a sorte. A Boa Sorte não se compra. Desconfie dos vendedores da sorte.

9. Após criar todas as condições favoráveis, tenha paciência, não desista. Para alcançar a Boa Sorte, tenha confiança.

10. Para criar a Boa Sorte é preciso preparar as condições favoráveis para as oportunidades. As oportunidades, porém, não dependem de sorte ou de acaso: elas sempre estão presentes!

O Decálogo da Boa sorte nunca chega ao seu conhecimento por acaso.

Trías de Bes, Fernando. A Boa Sorte. Tradução de Davina Moscoso de Araujo, RJ, Ed. Sextante, 2004.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sobre como bem Ler

Olha só, eu defendo que a proposta do blog é você escrever o que quiser e ponto²

Claro que escrever pouco é bom para quem não tem paciência ou tempo, e também não está interessado em adquirir, por não ter nenhum tempo mesmo (num estado cíclico), ou por negligenciar a necessidade de praticar a verdadeira leitura. Mas informação não é como comida congelada que você coloca no microondas e paft, com autoprogramação, está pronto.

A objetividade é essencial, contanto que não seja confundida como um jargão. Tem gente que quer saber sobre um assunto pra ter assunto, lendo poucas linhas (afora os que procuram uníssona concordância com suas particulares idéias!). Para tanto eu não precisaria fazer um blog, me usaria de sites com frases e pensamentos, ou leria discursos totalitários ou falácias, ou te recomendaria isto, há tanto na rede.

Por vezes e, assim, um texto mais longo serve para aumentar nossa própria absorção sobre o que aprendemos ou continuamos aprendendo diariamente, além de aprimorar nossa percepção do futuro. É neste caso, da mesma serventia de um diário.

Para uma boa leitura, comece analisando melhor e pesquisando os próprios livros que estão esquecidos nas prateleiras, e que por qualquer razão ainda não encontrou um tempinho para manusear. Lembre-se de fazê-los circular entre as pessoas de seu círculo de amizade, assim você levará oportunidade para muitos.

Tempo para ler existe. Leia por partes se necessário. É só querer! A leitura é sempre um acréscimo.

Não se preocupe muito com a beleza do compêndio. Quanto mais você puder participar, dissecando, retaliando, anotando, é bem melhor, tanto para quem lê, como para quem tenha acesso àquela obra. Também no caso de uma releitura (o que é sempre recomendável), teremos as referências anteriores que automaticamente vão se somando ao conteúdo e reforçando a compreensão global e do pensamento do autor.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Perversão

Pajazckowska, Claire. Perversão.Tradução de Carlos Mendes Rosa. RJ, Relume Dumará : Ediouro, segmento Duetto 2005

O conceito psicanalítico de perversão a define como uma atitude sexual, mas não necessariamente uma atitude genital. Existem também atos pervertidos, como o roubo ou o vício, em que o indivíduo sente prazer erótico conscientemente, e entende-se que esses atos têm significado sexual para ele. Foucault, curiosamente apresentou a hipótese de que os conceitos pertencentes a um discurso devem ser entendidos como produtos do poder, ligados por fim ao direito e ao Estado.
Esta hipótese foi usada para corroborar muitas obras com material de arquivo e políticas que documentaram a criminalização da homossexualidade ou a caracterização da mulher como histérica.

Contudo, classificar um indivíduo como pervertido é reproduzir a objetificação e desumanização características da própria perversão. ao contrário de outras ciências médicas, a psicanálise diz que não pode existir conhecimento do outro que não seja em princípio um conhecimento do eu, sem o que as técnicas de interpretação seriam jogos intelectuais sem sentido.

Quando a criança entra no periodo de latência, que precede a adolescência, ela se torna mais predisposta a a aprender com a realidade do que com sua experiência corporal e as suas fantasias sexuais. As experiências infantis que constituem a primeira das duas fases do desenvolvimento difásico são reprimidas e formam a base da mente inconsciente do adulto. ao definir as pulsões sexuais numa energia que chamou de libido, Freud compreendeu que o desenvolvimento sexual humano não se limita à atividade genital para a reprodução da espécie.
A fase oral, por exemplo, é acompanhada de um desenvolvimento das concepções de ingerir, incorporar, fundir-se, e durante ela o ego forma as primeiras representações da delimitação do eu e do não-eu. A defesa do bebê contra essa realidade é em parte a confiabilidade da devoção materna, que mantém um abiente propício, e em parte uma defesa psicológica de cisão.

Toda pulsão tem quatro componentes: uma fonte, uma pressão, um alvo e um objetivo. A emergência da pressão de uma pulsão na psique é em geral sentida como uma espécie de intrusão violenta do desprazer na paz gostosa do repouso, e quase sempre se imagina que essa violência venha de "fora". Entre as defesas precoces contra as perturbações desagradáveis da unidade narcísica, está o mecanismo de projeção, que reforça a tendência do ego de perceber que as exigências a ele provém do mundo exterior.

A fase anal sucede a fase oral. Freud encontrou as evidências da fase anal e sua repressão nas formações reativas de limpeza, ordem, rigor e controle. Constrangimento intenso, humor agressivo ou segredo, envolvem os fenômenos anais no mundo adulto. Freud observou que a agressividade e o sadismo eram especialmente fortes na fase anal. É possivel que a sublimação dos impulsos anais tenha um papel significativo em grande parte da criatividade artística. A capacidade da criança de controlar o sfincter e os intestinos acarreta a sensação do poder de dar e de reter e forma outro conjunto de representações mentais por meio do qual se constrói a delimitação do eu e do não-eu.

Os teóricos da cultura notaram também que as fantasias reprimidas na fase anal tem grande evidência nas ideologias do anti-semitismo e do racismo, nas quais um grupo preserva a idealização da "limpeza" do seu eu projetando no outro os atributos depreciados e temidos de contágio, sujeira e obscuridade. Outras espécies de intolerância e crueldade estão relacionadas a angústias e medos desta fase.

Ernest Jones conclui que a narrativa cristã da imaculada conceição é construída com base numa teoria característica da fase anal - ou seja, de que os bebês nascem pelas nádegas, como fezes. Também aponta que a respiração e a fala são tratados no inconsciente como equivalentes da passagem de gases intestinais. A idéia do ascencional, por exemplo, pode ser usada na defesa maníaca, numa série de oposições diádicas em que ela se contrapõe aos sentimentos intensos do luto e aos pensamentos depressivos. Ele também afirma que a representação cristã da crucificação dá forma ao afeto doloroso dos pensamentos depressivos, ao passo que o movimento ascencional da Ressurreição tem um significado fálico inconfundível.

Depois da repressão da fase anal e das suas fantasias, a criança entra num periodo dominado pelo erotismo uretral, fálico e clitoridiano. A catexia narcísica do pênis também ocorre no momento que a pulsão epitesmofílica se organiza em torno do uso da visão pelo ego, e a visão é importante para o desenvolvimento e o controle dele. Winnicot chamou essa fase de "ostentação e bazófia", em que o impulso escopofílico, com um objetivo ativo, vouyerístico, e outro passivo, exibicionista, é inteiramente associado à fase fálica. A disinção entre os sexos masculino e feminino é feita por meio da exitência visível do pênis, de modo que o limite entre o eu e o não-eu é simbolizado pela oposição entre fálico e castrado.Trata-se tão só de um pênis, que desconhece a existência da vagina.

A diferença entre as gerações, na qual se funda o complexo de Édipo da criança, é "castradora", por implicar a concientização da criança da sua impotência relativa na escala humana das coisas. O menino reprime a sua aspiração edipiana de que a mãe seja seu parceiro sexual e forma uma identificação com o pai como modelo de objetivo adulto. Ao fazê-lo, ele interioriza o malogro do complexo de Édipo como proibição, que constitui a base da aceitação do fato social das leis, das regras e das relações de troca. A energia dos impulsos libidinais tornam-se passíveis de sublimação por meio da educação, da cultura, das brincadeiras, dos esportes e das atividades sociais.
A trajetória da menina é diferente. O complexo de castração é que leva ao complexo de Édipo. Ela distancia-se da mãe e se torna a "garotinha do papai", esforçando-se para o que o pai lhe dê atenção e para satisfazê-lo. isso é igualmente reprimido, e também a menina aceita a idéia de uma lei social ou cria uma série de equivalentes do amor do pai, que precisam ser conquistados por meio da sedução. Existe ainda entre os psicanalistas o consenso de que o padrão de uma sexualidade infantil ativa que sucumbe à repressão e mais tarde ressurge na puberdade é uma característica fundamental da sexualidade, e que esse caráter difásico da sexualidade humana é crucial para entendimento as neuroses e perversões.

Freud em 1939 concluiu que o corpo inteiro é uma zona erógena. As representações e fantasias de cada um, organizam-se em torno da pulsão epistemofílica e da sua curiosidade pelas torias sexuais infantis. Essas são as soluções conceituais da crianças para a dúvida imatura quanto à origem dos bebês e ao caráter do relacionamento dos seus pais. Essas idéias e soluções arcaicas permanecem ativas no subsconciente.

Não se pode separar o pensar do sentir, e na infância as sensações carnais são muito parecidas com as sensações emicionais. O ego em desenvolvimento é que separa o som da visão, o sofrimento emocional da dor física, a angústia do desconforto no corpo, e assim por diante, à medida que ele se separa do id e separa o eu do não-eu. As fantasias relativas à oralidade são onipresentes tanto na cultura como nas brincadeiras infantis. Freud observou que a angústia da castração pode provocar uma regressão a uma fase anterior. Importante diferenciar, entretanto, a idéia infantil de um falo "sozinho e poderoso" da experiência adulta do pênis como órgão reprodutor, capaz de transformar o homem em pai.

A fase fálica abomina enigmas, o mistério deve ceder lugar à mestria. E as fantasias das meninas? Na fase fálica existe uma predisposição para a inveja do pênis, em que as meninas perguntam se não prefeririam ser meninos - ou melhor, são dominadas temporariamente pela convicção de que prefeririam ser do sexo masculino ou ter o que os meninos têm. A curiosidade sexual da menina edipiana encontra um objeto bem visível no pênis do pai, o que pode permanecer no inconsciente da mulher adulta heterossexual como uma sensação de que os homens são indescritivelmente magníficos. A inveja do pênis diminui à medida que o complexo de Édipo se instala e as meninas podem redescobrir o encanto das mulheres, da sua mãe e da idéia de ter um bebê.

Segundo Freud, foi a descoberta na infância de que as meninas, as mulheres ou as mães não tem pênis - descoberta feita com os olhos - que precipitou o complexo de castração e criou a angústia da castração. Nas meninas, a angústia foi uma reação à descoberta de que elas eram castradas, e nos meninos a angústia poderia oscilar entre "prestes a ser castrado", uma ameaça, ou ser castrado, a transição para o interesse pela realidade externa.


No fetichismo existe uma inter-relação complexa entre um sitema de pensamento conhecido por negação - baseado numa forma de clivagem defensiva do ego entre a percepção sensorial e a crença, uma atividade erótica ou prática sexual que associa a presença de um fetiche a uma fantasia particular imprescindível para o orgasmo - e uma estrutura afetiva que dita a experiência emocional do fetichista diante do objeto de fetiche e outras pessoas. O fetiche, segundo Freud, indica a intenção do sujeito de destruir a evidência que possibilitaria a castração.

A castração, para Lacan e novamente Freud, é acima de tudo a castração da mãe, e é por isso que as figuras principais que ela inspira são em certa medida comuns para crianças de ambos os sexos. A criança que vê o corpo da mãe é compelida pela percepção que existem seres humanos sem pênis. Contudo, a criança não interpreta exatamente uma diferença anatômica. Ela acredita que todos os seres humanos tem pênis e, portanto, entende o que ela viu como resultado de uma mutilação, simbolizando aqui todas as perdas, tanto reais como imaginárias que a criança já sofreu.
Uma pessoa que seja promíscua pode afirmar que essa é uma forma de liberdade sexual que não é da conta de ninguém, mas pode também reconhecer tacitamente que a mágoa ou decepção provocada nos outros é uma condição indispensável do prazer. O papel do inocente sexual que está apenas se desinibindo e se "libertando" é uma representação de um drama de hostilidade e vingança. Já o bisbilhoteiro que olha pela janela imagina que a pessoa que está tirando a roupa o faz para ele, e se encontra magicamente sob o seu controle. O cinema erótico proporciona isso à todos. Sendo a forma estática ou dinâmica, o princípio é o mesmo: a questão é mexer simultaneamente com a excitação do desejo e sua não-realização.
As pulsões pré-genital e pré-edipiana são então reprimidas e sublimadas ou passam a constituir a genitalidade adulta. O destino destas pulsões é voltada, a partir daí, para a união sexual e intimidade com a pessoa amada, depois do que se tornam componentes das carícias preliminares, da sedução e do galanteio que leva à sexualidade propriamente dita.

Parece que nenhuma pessoa sadia deixa de fazer um acréscimo ao alvo sexual normal. Do mesmo modo, talvez a homossexualidade e o lesbianismo façam parte da heterossexualidade e se diferenciem apenas na forma latente e explícita que assumem, no sentido de definirem ou não uma sexualidade.

Após Freud, uma obra de Klein aponta que no homicídio sádico há evidências de uma fantasia pervertida em que o orgasmo é equiparado à destruição ou aniquilação da idéia de um bebê ou de uma criança. John Bowlby nota que quase sempre existe um comportamento sexual impróprio quando as relações de apego não se desenvolvem satisfatoriamente ou tenham sido interrompidas ou cortadas. Assim, a sexualidade pervertida passou a ser vista como sintoma de um abalo inerente às relações de confiança e segurança. Os sintomas da perversão são resultado da angústia e uma resposta a um ataque à identidade sexual do indivíduo (masculinidade ou feminilidade).
Para Robert Stoller, o estupro é um ato de controle e violência que usa os órgãos sexuais, e não apenas um ato sexual particularmente agressivo. Já o exibicionista procuraria estar a salvo não da polícia (ao detê-lo), mas do pavor interno de ser um homem desprezível. Stoller supõe que a perversão seja primeiramente uma defesa contra a depressão psicótica.

Khan investiga a perversão na sua função de tática de intimidade, uma alienação do eu, uma forma de representação e uma forma de idealização do eu. Ele descreve o sexo pervertido como "trepar por intento, não por desejo". O pervertido relaciona-se não com outra pessoa num encontro intersubjetivo, mas como um cúmplice tratado como objeto subjetivo e coagido a representar a situação fantasiosa do pervertido.
Estela Welldon, da Clínica Portman em Londres, argumenta que a maternidade é uma função que pode propiciar às mulheres a oportunidade de materializar fantasias de poder , o que faria os bebês serem usados como objetos maternos.
Na função biológica, de acordo com Freud, as duas pulsões fundamentais atuam uma contra a outra ou se juntam. Assim, o ato de comer é uma destruição do objeto com o objetivo final de incorporá-lo, e o ato sexual é um ato de agressão com o propósito da mais íntima união.

Se a sexualidade e o apetite são uma fusão de Eros e Tânatos, se a sedução é uma agressão, então o que é o amor?

terça-feira, 3 de julho de 2007

Humano: Malabarista do Acaso

Pão e Vinho

Mas onde estão os troncos? Aonde estão os templos
e as taças cheias de néctar? E os hinos compostos
para agradar os deuses? Aonde brilham
teus oráculos de longínquos efeitos? Aonde ressoa
a grande voz do destino? Aonde está este destino rápido?
Por acaso ainda descende cheio de felicidades presentes
cegando os olhos, neste ar claro, com o furor de trono?
"Oh, Pai Éter!" Clamavam os peitos e esse grito voava de boca em boca.
Ninguém tinha por que viver só.
Tal bem, repartido entre todos, dá a alegria,
e repetido pelo forasteiro, esse grito se converte
em uma aclamação, e a força desse nome cresce na inconsciência.
"Pai Sereníssimo!" E até onde chega o eco,
esse nome ressoa, símbolo milenar dos antepassados,
criador e efetivo. Porque assim os deuses
nos surgem da sombra que lhes encobrem
e sua luz comove todo o ser dos homens.
A princípio chegam sem ser percebidos.
Seus filhos se rebelam contra eles: demasiado luminosa
e deslumbrante lhes parece a felicidade.
O homem teme os deuses, apenas um semideus saberia
os nomes daqueles que se aproximam cheios de dádivas.
Mas é imensa a coragem que lhe infundem os gozos
que lhe trazem, e não sabe o que fazer com tantas bençãos.
Cria, desperdiça e pensa conferir às coisas profanas
um valor sagrado, quando com sua mão, estúpido e generoso, as abençoa.
Os imortais toleram isto à medida do possível,
e logo aparecem em sua realidade plena e os homens
logo se acostumam com a felicidade e a luz, e a mirar
o rosto divino, sem os véus que há muito tempo
eram apenas por seus nomes conhecidos,
e que lhes asseguravam a alegria das almas tranquilas,
e que desde o início apenas cumpriram todos os desejos.
Porém assim é o homem, quando a sorte está a seu alcance
e um deus em pessoa é quem lhe traz, não o reconhece.
Basta apenas sofrer, para saber expressar o que quer,
e então as palavras justas abrem como flores.

Holderlin